segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Maria Bethânia explode corações em SP

Repertório é baseado nos dois novos álbuns da artista, ‘Tua’ e ‘Encanteria’.

Ampliar FotoFoto: IWI Onodera/Ego

Maria Bethânia apresentou na quinta (10) o primeiro dos três shows que faz em São Paulo. (Foto: IWI Onodera/Ego)

Jorge Amado disse certa vez que Maria Bethânia é um “orixá vivo”, tamanha sua grandeza no palco. Fica difícil discordar do escritor diante da imagem da cantora balançando o cabelão grisalho, enquanto caminha descalça pelo chão forrado de rosas vermelhas entoando os versos: “minha Santa Bárbara/senhora de mim/luz que alumia/esse povo bom da Bahia/nos livre das tempestades desse mundo/dos raios dessa vida”.

Veja fotos do show


Foi essa a visão que a plateia lotada do Teatro Abril teve na noite de quinta-feira (10), quando Bethânia abriu com a música “Santa Bárbara”, a primeira das três apresentações que faz em São Paulo do espetáculo “Amor, festa, devoção”. A turnê, que já passou por seis capitais desde outubro e que termina em Brasília, tem repertório baseado nos dois novos álbuns da artista, “Tua” e “Encanteria”.

“Devoção” é a última das três palavras que dão nome ao show, mas é o clima de misticismo e religiosidade que domina o início da apresentação. Depois de “Santa Bárbara” há os sambas “Feita na Bahia” (fui feita na Bahia/num terreiro de Oxum/os tambores sagrados soaram pra mim) e “Coroa do mar” (ô de casa vem ver/Luziê sambar/seu colar é de conta/seu anel, de pedrinha).

Mas logo vem o “Amor”. Recolhida num cantinho do palco, Bethânia canta à meia-luz.

Começa com “É o amor outra vez”, num arranjo de bolero que chega a ser doído, de tão triste. Segue com “Tua”, composição de Adriana Calcanhotto que encantou tanto Bethânia, a ponto de batizar seu novo disco, o “romântico” - diferente de “Encanteria”, cujas músicas são “de celebração”.

É desse modo, aliás, que a cantora diferencia esses dois recentes trabalhos que norteiam a turnê.

Explode coração

Quando quer cantar o romantismo, Bethânia também pega emprestado o lirismo das músicas do irmão, Caetano Veloso. No show, entoa o “amor assim delicado” de “Queixa” e faz um “iê iê iê romântico” com “Não identificado”.

Sem preconceitos, a diva também busca poesia nos hits que fazem a cabeça do povão. E por que não?

Já é conhecida sua versão delicada para “É o amor”, de Zezé di Camargo e Luciano. No show, o clássico neosertanejo ganha uma citação de “Vai dar namoro”, da dupla Bruno e Marrone.

Surpreso, o público refinado que até então aplaudia contido cada uma das músicas, se exalta como numa micareta. Gritos de “Eu te amo!”, “Linda, gostosa!” e “Casa comigo!” ecoam pelo Teatro Abril.

“I love you, chuchu!”, responde a estrela, toda tímida, sem a desenvoltura de Ivete ou Claudinha Leitte - elas sim, acostumadas com esse tipo de reação afoita


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